INFÂNCIA NA PANDEMIA: AS BRINCADEIRAS INFANTIS E O DISTANCIAMENTO SOCIAL
A Unicef divulgou relatório, onde foi diagnosticado que com a pandemia de Covid 19 até novembro de 2020, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil.
Devido a um alto número de escolas públicas e privadas fechadas, 1, 5 milhão de crianças e adolescentes não frequentaram as escolas de forma remota ou presencial e 3,7 milhões que estavam matriculados não conseguiram concluir o ano letivo, no total de 5,1 milhões de crianças e adolescentes na faixa etária entre 6 a 17 anos sofreram exclusão escolar no Brasil.
Com tempo livre em casa, muitos pais e crianças viram as brincadeiras infantis como uma forma de lazer e entretenimento, no período de distanciamento social.
Para a mãe Monicleia Francisco, os brinquedos infantis oferecem vários benefícios, o principal é facilitar a interação dos pais, com as crianças em casa, já que as mesmas não têm como sair e interagir com outras crianças fora o círculo familiar.
“Os brinquedos infantis para as crianças que ficam em casa tem uma vantagem muito grande, porque a gente interage muito com a criança em casa, os brinquedos atuais são diferentes dos de antigamente, são muito tecnológicos e caros”.
No entanto, diz que as brincadeiras tradicionais como pega- pega, esconde- esconde, perderam espaço, entre o público infantil e que no momento não realiza com frequência esses tipos de brincadeiras com as crianças da sua família, preferindo os jogos como quebra cabeça e de montagem, que incentivam o raciocínio lógico e ocupam tempo das crianças.
“Os brinquedos estão muito caros, mas com certeza acho importante o ato de brincar porque as crianças ampliam o conhecimento de algumas coisas que acontecem no dia a dia delas, não costumo brincar com as brincadeiras tradicionais, mas considero importante a interação com outras crianças, só que no atual momento não, porque é necessário manter o distanciamento”.
Ao ser questionada sobre a questão tecnológica e as brincadeiras infantis, afirma que as crianças, não conseguem se manter por muito tempo distante da tecnologia: “ elas ficam um pouquinho ali, mas logo procuram a internet para brincar”.
O mercado brasileiro de brinquedos infantis é um dos maiores do mundo, em 2013 o público infantil veio a corresponder o percentual de 24% dos habitantes do país, o equivalente a 46 milhões de pessoas, o que corresponde à soma da população de três países a Alemanha, Inglaterra e França, segundo estudo do grupo empresarial GFK.
Lucena vendedora da rede de lojas de infantis Ri Happy, afirma que no inicio da
pandemia houve uma pequena queda nas vendas de brinquedos infantis, devido as lojas estarem fechadas e o domínio de brinquedos tecnológicos e eletrônicos no ambiente familiar.
Que após a reabertura das lojas ocorreu um aumento da procura por jogos e quebra cabeças para brincar em família, o que considera importante para o fortalecimento dos laços familiares.
“Teve uma leve redução, devido a muitos locais estarem fechados e também devido à presença de eletrônicos, quando voltou a reabrir conseguimos vender mais os jogos, é uma junção entre os pais estarem em casa mais tempo com seus filhos e desejarem interagir com eles, para até mesmo diminuírem a presença da internet e dos jogos eletrônicos, então por isso eles estão buscando esses tipos de jogos para brincarem em família.”.
Sobre o fator educativo dos jogos e os preços dos brinquedos, a vendedora afirma que a média de preços varia entre 59 a 250 reais, que os jogos educativos e quebras cabeças apresentam em suas embalagens as regras e indicações de faixa etária, diferente de muitos eletrônicos e aplicativos de celulares, em que muitos pais têm desconhecimento ou não tem acesso a essas informações, dando um alerta de segurança.
“Os pais tem o controle nos jogos educativos, as crianças podem estar brincando e os pais estabelecendo as regras do jogo, enquanto nos aplicativos muitos pais não tem conhecimento do conteúdo do jogo”.
“Os preços dos jogos são bem variados, tem jogos educativos que servem desde a
primeira infância até a adolescência, os preços irão depender da faixa etária, do gosto da criança e da condição financeira do cliente, os jogos têm preços que variam de 59, 99 até 249,99, tudo depende do interesse da criança e necessidade da família”.
Em relação a preferência por brinquedos com tecnologia pela atual geração infantil, pontua categoricamente “prefiro as brincadeiras de antigamente, tem muitas brincadeiras que poderiam voltar por serem bem mais educativas e instrutivas para as crianças”.
Valentina, 8 anos, diz que entre os brinquedos infantis e o celular tem preferência pelo aparelho eletrônico, se considera viciada em internet e afirma que também gosta das brincadeiras tradicionais como esconde esconde e pega pega.
Diz ainda que os seus brinquedos usados e em bom estado de conservação oferta para doação, assim que ganha novos, que se agrada de brinquedos caros, mas que devido à pandemia e recessão econômica seus pais não podem comprar com frequência, mas seu último presente foi uma bicicleta para brincar ao ar livre.
“Eu gosto de Lego, brinquedo de montar, só que prefiro o celular porque sou mais
viciada nisso, eu tenho tablet, tenho notebook, eu gosto de pega pega, esconde esconde, quebra cega, gato mia, os brinquedos que eu acho mais bonitos, minha mãe hoje não pode pagar, mas eu ganhei uma bicicleta que eu fiz doação, porque eu vou ganhar um skate no final do ano”.
A psicóloga Joana Barreto CRP 06/161904 fala que o lúdico auxilia no desenvolvimento infantil, porque por meio dele é possível desenvolver a interação social, reconhecimento de cores e objetos e de regras.
“Em uma brincadeira com regras a criança vai ter que esperar a sua vez, vai precisar reconhecer quando é a sua hora de brincar e o momento da participação do outro, vai precisar entender quando ela ganha e quando o outro ganhou, o uso do lúdico acarreta em desenvolvimento emocional, cognitivo, sociológico, em várias áreas que influenciam no desenvolvimento infantil como um todo”.
Para a psicóloga as brincadeiras infantis são muito importantes para o desenvolvimento e interação social das crianças.
Fala ainda sobre a importância das brincadeiras direcionadas “ a brincadeira direcionada tem um objetivo mais delineado, com demandas no meio da brincadeira e com perguntas para a criança, como por exemplo: que cor é essa? qual o nome desse brinquedo? como você se chama? quantos anos você tem? o que estamos fazendo agora? Várias coisas que podem auxiliar no desenvolvimento da criança”.
Defende o uso de ferramentas on line, desde que com mediação de um adulto, “ no atendimento on line com a criança é possível colocar alguns documentos on line que podem ser utilizados como brincadeiras, documentos com algumas perguntas que a criança pode achar engraçado, documentos que trabalham a minha vez e a sua vez, tem um site agora na pandemia que tem uma roleta que vai girando e faz várias perguntas educativas as crianças que ficam bastante engajadas”.
Porém afirma que dar mesma forma que a pandemia trouxe novas formas de brincadeira, também prejudicou outras maneiras de brincar e que os pais devem
procurar o equilíbrio nas brincadeiras.
“Já era bem difícil ver crianças brincando na rua com outras crianças, hoje com pandemia ficou mais difícil ainda, os pais devem buscar esse equilíbrio entre se adaptar as brincadeiras on line, mas não perder o lado presencial que tem tantos ganhos maravilhosos e incríveis para as nossas crianças”
Em relação a pandemia e o universo infantil a psicóloga Joana Barreto opina que mais desfavoreceu as crianças do que favoreceu, sobretudo no que se refere ao afastamento do ambiente escolar na infância
No entanto a pandemia trouxe alguns benefícios como aproximação dos pais, "as crianças ficaram mais tempo com os pais, isso gerou uma interação maior” porém ressalta que a tendência ao distanciamento social devido a tecnologia, ficou mais acentuada com o aumento da Covid 19 “ as crianças já tinham uma tendência nesse novo século a um contato social mais restrito, por conta das redes sociais e dos aparelhos tecnológicos, com a pandemia esse contato certamente ficou cada vez mais restrito, não só para as crianças, como para todos nós, as crianças sentem isso de forma mais intensa, porque a personalidade e a identidade delas ainda estão sendo formadas, então é uma consequência por um longo período de tempo”.







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